quarta-feira, 10 de junho de 2009

Tia Genérica, parte 2

Trim, trim, triiiiiiiiiiim!

_ Alô?

_ Ana? É a tia Genérica.

_ Oi, tia. Como vai a senhora?

_ Ah, minha filha, nada bem.

_ É mesmo? O que houve?

_ Eu estou triste, meio deprimida...

_ Puxa, tia, que pena... por quê?

_ Porque eu estou muito gorda. Muito gorda mesmo, sabe? Relaxei com o meu corpo.

_ Nossa, tia, da última vez que a gente se viu, eu achei a senhora ótima.

_ Ah, mas eu piorei muito, minha filha. Muito. Nenhuma roupa mais me serve; um horror. E o pior é que eu tenho um casamento na semana que vem e estou nua.

_ Sei...

_ Aí, eu lembrei de ligar pra você. Será que você não me emprestaria um vestido seu?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Tia Genérica, parte 1

Todo mundo conhece alguém assim.

Geralmente, é uma tia que não necessariamente é irmã dos seus pais. Às vezes, é uma amiga da sua mãe que, por razões que a própria razão desconhece, insiste em frequentar a família há décadas. A sua. Não a dela própria.
A tia Genérica é uma pessoa avançada na idade, nos dissabores da vida e no grau de miopia, que parece compensar esses avanços todos com comentários inclassificáveis.

_ Ana!
_ Oi, tia Genérica.
_ Nossa! Há quanto tempo! Você engordou?
_ Não, tia. Continuo com o mesmo peso.
_ Mas você tá mais fortinha. Com quantos anos você está?
_ Trinta e nove, tia.
_ Só??? Tem certeza? Eu pensei que você já tivesse passado dos quarenta há algum tempo.
_ Não, tia. Eu só faço quarenta em agosto. Falta muuuuuuuito tempo.
_ Mas, espera aí... quando você brincava com o Heitorzinho, meu filho, vocês eram quase da mesma idade, não?
_ Não, tia. Eu sempre fui oito anos mais nova que o Heitorzinho. Sempre.
...
_ Mas você esta bem, Ana. Tá até conservada.
_ Er... obrigada?
_ Você usa creme para os olhos, minha filha?
_ Uso, tia. De manhã e à noite, religiosamente, desde meus vinte e cinco anos.
_ Pois não parece...