segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Ho Ho Ho!

Vésperas de Natal, shopping impraticavelmente lotado e num canto, suando em bicas, um homem vestido de Papai Noel. Apesar dos tempos e do bom senso, há uma fila de crianças devidamente acompanhadas dos pais para sentar no colo do sujeito e fazer o pedido de Natal.

Cena 1:

_ Qual é o seu nome, menininha?
_ Amanda.
_ Muito bem, muito bem. E você foi uma boa menina o ano todo?
_ Fui, sim.
_ Estudou direitinho?
_ Estudei.
_ Obedeceu ao papai e à mamãe?
_ Obedeci à mamãe. Ao papai, eu não obedeci porque ele foi embora de casa e a mamãe falou que ele é um canalha infeliz e que não é pra eu obedecer ele nunca. Nunca!

Cena 2:

_ Ei, menininho, o que você quer ganhar?
_ Um skate.
_ E você?
_ Uma bola
_ E você?
_ Uma bonequinha que fala.
_ E você?
_ Um caminhão grandão.
_ E você?
_ Um patinete, um walkie-talkie, uma pista de HotWheels, um pára-quedas, um chicote magnético e todos os modelos de carrinho que eu ainda não tenho.
_ Puxa... a mamãe vai ter que trabalhar muito, hein?
_ Por quê?
_ Pra comprar esses presentes todos.
_ Ué, mas não é você que compra?
_ Er... eu... bem, sou! Mas é que eu tenho muitas crianças para dar presentes. Não posso comprar tudo isso para uma criança só. A mamãe vai ter que me ajudar.
_ Mas a mamãe já trabalha muito.
_ E será que ela ganhou dinheiro suficiente?
_ Não sei. Ela também está na fila, ó: é aquela ali. E disse que vai pedir exatamente isso pra você.


Cena 3:

_ Oi, menininho. Qual é o seu nome?
_ Luisinho.
_ E você foi bonzinho o ano todo?
_ Hum-rrrum.
_ Tirou boas notas?
_ Não porque eu ainda sou criança e não faço prova.
_ Mas você passou de ano?
_ Claro, né? Ninguém repete na minha idade.
_ E o que você quer que o Papai Noel traga?
_ Um X-Box.
_ Tá certo, tá certo. Eu vou trazer, tá bom?
_ No ano passado, você disse a mesma coisa e não trouxe.
_ É que no ano passado não deu. Quer uma balinha?
_ A mesma conversa de sempre. Ó: se for pra trazer um caminhão ridículo e um pijama do Homem-Aranha como você trouxe no ano passado, nem perca tempo, tá? Porque eu NÃO VOU gostar.

9 comentários:

Rodolfo Barreto disse...

Pior que isso, só criança-margarina pedindo paz na terra. Onde já se viu criança pedir coisa que não seja brinquedo? Hipocrisia nataliana é uma merda.

Cláudia disse...

Meu sobrinho de 6 anos aprendeu a amarrar o cadarço sozinho, então ele me pediu um tenis de cadarço, que, segundo ele, pode ser azul. Em retribuição, vai me dar um vestido vermelho bem bonito que ele mesmo vai escolher. Vamos ver né?
Pro papai noel ele pediu um carro que ele mesmo possa entrar e dirigir, olha o trambolho!
beijo

"a" MH disse...

hahahaha
que eu me lembre as crianças não eram tão questionadoras (e cara de pau) na "minha época"...

Adauto disse...

Crianças? CRIANÇAS? Infelizmente cada vez menos crianças e cada vez mais adultos em miniatura. É difícil - dá um trabalho danado! - manter sonhos, lendas e tradições nesse nosso mundo globalizado...

Tenho sentido falta de suas "réplicas" por aqui. Sempre foi um dos pontos altos que fazia toda a diferença com os demais blogs. Sei que deve estar na correria, fim-de-ano, mudança, etc, etc, etc. Mas, dentre seus fiéis leitores, talvez não seja eu o único que pense assim...

ME disse...

Mamae,

Escreva mais, cansei de entrar aqui e não ver posts novos...

Amei!!!

bjos

Thales disse...

Na minha época Papai Noel era mais medonho do que o Freddy Krueger. Eles usavam aquelas máscaras de plástico barato, sabe? Aqueles com o elastiquinho. Nunca cheguei perto de um. Trauma...

Ana Téjo disse...

Rods,
Ué... mas em todos os casos, os pedidos foram brinquedos.

Clau,
Tomara que a mãe dele ajude nas compras. Porque menino de 6 anos comprando vestido vermelho pode ser um perigo.

Ana Téjo disse...

MH,
Será? Ou a gente é que não percebia?

Adauto,
Nem me fale no trabalho. Afff!
Quanto aos comentários, você tem toda razão. Também estou sentindo falta. Vou tentar tirar o atraso, tá?

Ana Téjo disse...

Filhinha,
Vou escrever, amor. Pode deixar.

Thales,
Meniiiino, nunca vi desses de máscara. Devia ser um assombro mesmo. Fiquei com medo só e ler sua descrição.