quinta-feira, 21 de julho de 2011

Rede Social

_ E aí, milha filha, como foi o passeio com o seu namorado?

_ Eu não estou namorando, mamãe.

_ Como não?! Você sai com esse menino toda semana, já foi ao shopping, ao cinema, já beijou e não está namorando?!

_ Não.

_ E quando vai estar?

_ Quando ele pedir.

_ Pedir o quê, filha?

_ Minha mão em namoro.

_ Credo! Ainda tem isso? Isso era coisa do meu tempo...

_ Tem uma outra forma também.

_ E qual é?

_ Quando ele mudar o relationship status dele no Facebook.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Férias, parte 1


_ Mamãe, posso fazer uma fogueira no quarto?
_ É claro que não, filho.
_ E uma montanha com areia do parquinho para eu escalar?
_ No parquinho?
_ Não, né? No quarto.
_ Ah. Não pode.
_ Droga! Você não deixa nada.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dieta Milagrosa da Pensatriz – parte II

Quer perder 5Kg 7Kg em duas semanas um mês?

Pergunte-me como.


Dói um pouco, mas é infalível.

Incline a cabeça para trás e abra bem a boca.

Enfie a mão e vá tateando para baixo até encontrar o coração.

Costuma ser um órgão quente que fica mais para o lado esquerdo, pulsando.

Gire no sentido horário até soltar e puxe com cuidado para cima.

Só com isso, você já perde 250g, se for mulher ou 300g, se for homem.


Agora falta pouco.

Ponha o coração em um prato até parar de pulsar. Não deve demorar muito.

Corte em pedaços pequenos e vá consumindo aos poucos, três vezes ao dia ou sempre que sentir necessidade.

Não tem erro.

Dieta Milagrosa da Pensatriz – parte I

Outro dia ouvi duas mulheres dizerem:

_ Nossa! Olha que magra! Só pode ser infeliz!

É evidente que não estavam falando de mim, mas fiquei com sentimentos ambíguos. Primeiro, porque detesto generalizações. Acho que toda generalização é burra, inclusive esta. Somos variados demais, diversos demais, múltiplos demais para cabermos em rótulos. Assim, da mesma forma que nem todo gordinho é simpático, nem todo baixinho é invocado e nem todo míope é inteligente (dentre outras generalizações que eu nem ouso citar), acho uma injustiça dizer que toda magra é infeliz.

Uma pessoa pode ser magra porque é geneticamente propensa e não porque nunca comeu uma bomba de chocolate na vida. Pode ser magra porque tem pais magros, porque tem intolerância a glúten, porque é vegan roxa, porque é diabética ou porque realmente não gosta de comer.

Mas de alguma forma aquilo me tocou e fiquei pensando. Será? As pessoas reagem de tantas formas diferentes a um mesmo estímulo.... Conheço várias que quando ficam tristes, comem compulsivamente. Comem um bolo inteiro, uma caixa de chocolates inteira, uma garrafa inteira de vodca...

Por outro lado – e muito cuidado aqui com as generalizações – é fato que essas moças magérrimas, de 1,80m e 50Kg não parecem lá muito felizes.

Será?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Consequências

_ Mamãe, posso não ir à escola hoje?

_ Justo hoje?! Segunda-feira? Por que, filho?

_ Porque eu estou com uma dor de cabeça horrível.

_ Nossa! Que chato. E por que será?

_ Não sei. Acho que é ressaca mesmo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Papo de outro mundo

_ Mamãe, o que é dimensão paralela?
_ Xi, filho! Como é que eu vou te explicar? Isso é um conceito tão abstrato...
_ O que é abstrato?
_ É uma coisa que não é palpável.
_ O que é não palpável?
_ Uma coisa não palpável é uma coisa conceitual.
_ O que é conceitual?
_ Caramba, Pedro. Conceitual é algo que não é concreto.
_ Saco.
_ Saco?!
_ É. Antes eu não sabia uma coisa. Agora, eu não sei quatro. Você só me confunde, mamãe!


terça-feira, 26 de abril de 2011

Fila

_ Mamãe, estou arrasado.

_ Que triste, meu filho. Por quê?

_ Porque tem dezenas de pessoas com quem a Lívia quer namorar antes de namorar comigo.

_ É mesmo? Tipo quem?

_ O Justin Bieber, os três Jonas Brothers, o Cauã Reymond...

_ Calma, meu filho. A Lívia não tem a menor chance com eles.

_ Mas ela é linda!

_ É linda para você, que está apaixonado. Para eles, ela nem existe. E mesmo que existisse, seria uma pirralha magrela boboca e sem graça.

_ Ela não é boboca!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Fertilidade

_ Nossa, filho! Quantos ovos! Essa Páscoa rendeu, hein?

_ É, mamãe. Foi uma Páscoa bem ovípara.


terça-feira, 12 de abril de 2011

Romântico

_ Mamãe, eu posso me casar?

_ Claro que pode, filho.

_ Posso me casar agora?

_ Eu acho um pouco cedo. Você só tem nove anos. Vamos esperar mais uns 20, que tal?

_ Mas, e se eu estiver apaixonado?

_ Nem sempre que as pessoas se apaixonam, elas se casam, filho.

_ Não?!

_ Não.

_ Que horror.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Via Crucis

_ Mamãe, você sabia que antigamente as pessoas morriam crucificadas?

_ Sei, sim, filho. E era uma morte horrível. Às vezes, demorava horas porque as pessoas apanhavam muito antes e acabavam morrendo asfixiadas porque não conseguiam respirar naquela posição.

_ Nossa!

_ É. “Nossa” mesmo. Aliás, você sabe que Jesus Cristo morreu assim, não sabe?

_ Sei. Você estava lá?

_ É claro que não, filho! Francamente...

_ Ah, é. Desculpa, mãe. Esqueci que você não gosta de violência. Você ficou em casa, né?


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Morte violenta

_ Mãe, tô satisfeito.

_ Ah, não, filho. Você não comeu nada. Come mais um pouquinho...

_ Não quero, obrigado.

_ Coitadinho do brocolezinho, que vai ficar sozinho no prato enquanto toooodos os outros brocolezinhos foram pra barriga...

_ Sorte do que ficou no prato, mamãe.

_ Por quê, filho?

_ Porque os outros caíram no ácido. Ácido estomacal. E estão sendo corroídos agora mesmo, dentro da minha barriga.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um lugar...


_ Mamãe, a gente pode morar no fim de semana?
_ Como assim, filho?
_ O fim de semana é o meu lugar preferido no mundo. A gente faz um monte de coisa legal, fica junto... Eu queria morar no fim de semana. Definitivamente.

Pensando bem, eu também.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Tendência


_ Ah, eu quero me casar na praia...
_ É mesmo, filha? Que romântico.
_ É, mamãe. Na praia, no fim da tarde, todo mundo descalço...

_ Eu também quero um casamento romântico!
_ É mesmo, filho? E como será o seu casamento?
_ Num vulcão.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Meteorologia

_ Mamãe?

_ Oi, filho.

_ Podemos conversar sobre alguma coisa?

_ Claro. Sobre o que você quer conversar?

_ Podemos conversar sobre o tempo?

_ Podemos, sim.

_ Então, no tempo dos dinossauros...

_ Que tal a gente falar de algo mais comum sobre o tempo, filho?

_ Tá. Se eu pudesse voltar no tempo...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A mãe do Ian

Todo mundo tem mãe.

Tem mãe que é separada do pai e cria o filho sozinha; mãe que é separada e quem cria é o pai; mãe que mora em outra cidade e o filho é criado pela tia ou pela avó. Tem mãe que é brava, mãe que é legal e até mãe que de vez em quando a gente tem vontade de trocar por outra. Até a Marina tem mãe, só que a dela morreu. Tem também mãe que não tem filho, mas que cria o filho dos outros como se fosse seu e vira mãe de verdade. Todo mundo tem mãe porque todo filho nasce de uma barriga e a barriga só pode ser da mãe.

Todo mundo tem mãe, menos o Ian.


_ Por que você diz que o Ian não tem mãe, filho?

_ Porque ele não tem mesmo, mamãe. Foi ele quem disse!

_ Mas, filho, isso não pode ser. Como o Ian nasceu se não tem mãe?

_ Não sei, mas ele disse que não tem.

_ E por que ele diz isso?

_ Porque a mãe dele tem cabelo roxo.

_ Ah, então ele TEM mãe!

_ Tem, mas ele diz que não tem porque o cabelo dela é roxo.

_ Ah, filho, que injustiça! Não é porque ela tem o cabelo roxo, que deixa de ser mãe dele. Como o Ian é careta... Aliás, aposto até que o cabelo dela nem deve ser tãããão roxo assim. Deve ser um castanho escuro com reflexos acobreados e o Ian que é implicante.

_ Não é, mamãe. Você vai ver na reunião. Coitadinho do Ian...


Fui à reunião e, lá pelas tantas, entrou uma mulher de trinta e poucos anos e cabelos roxos. Roxo intenso. Longos fios cor de beterraba descendo até os ombros. Fiquei ali, olhando e pensando se ela sabia do efeito que aquilo provocava em um menino de oito anos.

Sei que a mãe do Ian não lê esse blog e respeito demais a individualidade humana para me meter num ninho de pulgas desses, mas se você, leitora, tem cabelos roxos ou de qualquer outra cor que não exista na natureza & um filho de oito anos, reconsidere.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O fim do mundo

Meu filho está preocupado com o fim do mundo. Genuinamente preocupado.

Todas as noites, quando chego em casa, ele me bombardeia com perguntas sobre chuvas ácidas, cataclismas e asteróides de altíssimo poder de destruição. Hoje, estava particularmente tenso com o buraco na camada de ozônio.
Mal sabe ele que não há com o que se preocupar.
Afinal, o mundo já acabou. E não é de hoje.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Força de expressão

_ Boa noite, meu filho!

_ E aí?

_ Tudo bem com você? Vem cá me dar um beijo. Como foi na escola, e na natação, e no karatê?

_ Ah, véi, foi tudo bem; eu aprendi a virada olímpica e um golpe novo que...

_ Peraí! Momentin! O que foi que você disse, Montanha?

_ Que aprendi a virada olímpica e um golpe...

_ Não! Antes disso.

_ Antes eu disse que “tudo bem”.

_ Filho, do que foi que você me chamou?

_ Acho que de mamãe. Sei lá, cara!

_ Olha aí! Você fez de novo!

_ Fez o que, véi?

_ De novo, de novo! Estou tendo alucinações ou você está me chamando de “véi” e de “cara”?

_ Ah, é só força de expressão...

_ Pois póparar com essa “força de expressão”.

_ Mas todo mundo fala assim, véi!

_ Aaaaaaiii, Pedro! Para com isso agora mesmo! E para sempre, entendido? Mesmo que TODO MUNDO fale assim, você não falará. Não nesta vida. Não enquanto eu for sua mãe, entendeu?

_ Mas, mãe...

_ Mamãe, filho. Ou Dona Mamãe, se você preferir. Humpf! Era só o que me faltava.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Material escolar

Sabe quando tem revista no presídio e a polícia apreende 50 celulares, 5 punhais, 18 facas de cozinha e 32 granadas domésticas?

Foi como eu me senti hoje cedo, filho, na reunião com a sua professora, quando ela começou a enfileirar os itens apreendidos de você nas últimas semanas.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Unplugged

Trim, trim, triiiiiiiim!

_ Alô?

_ Mamãe?

_ Oi, filho.

_ Posso, só hoje, só hoje, ligar o Wii antes das quatro da tarde?

_ Não.

_ Não mesmo?

_ Não.

_ Mas eu já acabei a lição.

_ Ok. Mas a gente já combinou que até as quatro você fica fora da tomada. Vá brincar de outra coisa.

_ Ok.

(20 minutos depois)

Trim, trim, triiiiiiiim!

_ Alô?

_ Mamãe?

_ Fala, filho..

_ Tô ligando só para que você saiba que eu estou sofrendo muito.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Decisões


_ Mamãe, eu tomei uma decisão.
_ Ai, filho, estou com um mau pressentimento. Que decisão foi essa?
_ Resolvi que, definitivamente, eu vou parar de estudar.
_ Hmmm... acho que essa decisão não cabe a você, filho.
_ Por quê?
_ Porque você só tem oito anos e por mais uns quinze vai ter que estudar, quer queira, quer não.
_ Vou?
_ Vai.
_ Mas... e se eu quiser ser astronauta?
_ Bem, astronautas têm que estudar muita física, química, astronomia, geometria, matemática e biologia.
_ Credo! E se eu quiser ser explorador, arqueólogo?
_ Exploradores e arqueólogos precisam ser craques em história e biologia.
_ Um bombeiro, talvez...
_ Bombeiros têm que conhecer anatomia, dominar primeiros socorros e atendimento de emergência e saber um bom tanto de física e química também.
_ Já sei! Vou ser artista.
_ Artistas têm que saber história, matemática e geometria para entender de proporções e perspectiva e alguma química para misturar materiais.
_ Saco!
_ É. Eu imagino que seja. De qualquer modo, acho que você entendeu que tem que estudar, né?
_ Entendi.
...
_ Mamãe... e se eu quiser ser príncipe?
_ Bem, filho, nesse caso, você vai ter que estudar tudo isso e muito mais para conquistar uma princesa.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O seu coração

E quis o destino que depois de uma longa pausa, meu coração reencontrasse o seu. E fomos, aos pouquinhos, redescobrindo o sentido de tudo, a graça de tudo, a beleza de tudo. Descobrimos que Deus, esse gozador, tinha planejado as coisas desde o início; inclusive a nossa separação.

E não é que esse mesmo Deus, brincalhão, colou meu coração no seu com Super Bonder celeste e quando ele estava bem colado, fez o seu coração entupir?

E de repente, sem maiores avisos, ali estava o seu coração na mesa do centro cirúrgico e o meu na boca, de nervoso, tendo que deixar aquele povo de branco picar, espetar, furar, cutucar você de tudo quanto é jeito.

Sete dias, meu amor. Uma semana inteira em que o seu coração bateu em primeiro plano e o meu bateu apertado, morto de medo. Fiz a única coisa que poderia fazer: suspendi tudo e fui ficar perto do seu coração. Afinal, onde mais o meu poderia estar?

E agora que essa taquicardia emocional passou, só nos resta cuidar com todo carinho de você e esperar seu coração cicatrizar. E ele vai, meu amor. Vai porque não há lugar mais amplo, macio e quente que esse músculo que bate dentro do seu peito. Vai porque a gente tem muito o que viver junto. E vai, principalmente, porque sem o seu coração, o meu não tem mais como ser feliz.

Deus te guarde.

De repente

Eu passei por aqui quase sem querer e me deu uma saudade danada de mim.

Deve estar na hora de me visitar. Será que eu lembro meus caminhos?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eu quero ter 45 para...


Dizer tudo sem precisar abrir a boca.

Lembrar da Sônia Braga em Vila Sésamo, na TV em preto e branco.

Manter o corpinho de 20 e matar todo mundo de inveja.

Ver brotar na minha filha o melhor de mim..

Lembrar de Santos quase sem prédios.

Ter olhos intensos, matadores.

Pensar que até agora eu só vivi a metade – ou menos – da minha jornada.

Lembrar da Copa de 70.

Ganhar prêmios e concluir que, no fim, eles não eram tão importantes assim.

Lembrar de Londres.

Ter morado em Nova York.

Passar um aniversário em Paris.

Vestir o que me der vontade (e ficar bem nas minhas escolhas).

Conhecer o gosto de Crush.

Exibir pelo corpo marcas que contam a minha história.

Precisar provar muito pouca coisa pra muito pouca gente.

Olhar pra trás e sentir orgulho de tudo o que passou.

Saber o que busco num homem.

Aceitar com serenidade a impermanência de tudo (inclusive dos 45).

Ter amigos de 30 anos (ou menos).

Ter amigos há 30 anos (ou mais).

Ficar mais parecida com você.


Parabéns, querida.

Você é uma inspiração todos os dias.


Ilustra de autoria da própria homenageada.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Teçte de prutugueis


Aí, você resolve investir cinco minutos de ócio e descompressão no trabalho em um teste de caráter inteiramente educativo, como: "que tipo de ritmo/ lugar no mundo/ deusa grega/ distúrbio psiquiátrico" é você.


Quinta pergunta:
"Quais instrumentos mais te atrai em uma banda?"

Resultado:
Ritmo: jazz
Concordância: 0

sábado, 22 de agosto de 2009

Homeless

Lar é mais que casa.
É estado de espírito.
Eu estou sem teto
desde que deixei de morar em você.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Declaração

_ Mamãe, eu estou bonito?

_ Tá lindo, filho. Como sempre. Por quê?

_ É que hoje é um dia muito importante. Hoje, eu vou dizer pra Lívia que estou apaixonado.

_ Ué! De novo? Mas você já não disse?

_ Dãããns, mamãe! Todo mundo sabe que as garotas gostam de ouvir essas coisas vááárias vezes.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Presente

_ Mamãe, nós temos que comprar um presente para a Lívia.

_ Eu sei, filho. E nós vamos. Pode ficar tranquilo.

_ Quando?

_ Certamente, antes da festa. Você já pensou em alguma coisa?

_ Pensei, sim. Pensei em três coisas. Mas uma, eu já sei que você não vai deixar. Sabe qual é a que você não vai deixar?

_ Qual?

_ A sereia! Pensei numa sereia pra ela porque ela é linda como uma sereia, mas você vai reclamar porque a sereia é muito grande e não cabe na sua banheira. Ou vai reclamar porque não vai dar pra você tomar banho até a festa, né?

_ Bem, eu reclamaria de coisas diferentes, mas você tem razão. Uma sereia está fora de cogitação.

_ Eu sabia! Foi por isso que eu pensei também numa coisa bem pequenininha.

_ O que, meu filho?

_ Uma fadinha igual à Sininho do Peter Pan. Acho que ela ia adorar e cabe até num pote de geleia!

_ É verdade, mas acho que não estamos na época das fadinhas. Eu não tenho visto nenhuma pra vender ultimamente, você tem?

_ Não, mamãe. Não tenho. Que pena...

_ Pena mesmo. Qual era a sua terceira opção?

_ Um arco-íris.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O convite

_ E então, meu filho? Como foi o primeiro dia de aula?

_ Ah, mamãe, foi maravilhoso. Paradisíaco!

_ Paradisíaco?!

_ É. Eu vi a Lívia. Ela continua linda. Mas isso não foi o melhor. O melhor é que ela me convidou para a festa dela. E ainda escreveu no convite que “sem a minha presença a festa não estará completa”.

_ Nossa! Que legal! Ela escreveu isso com a letra dela?

_ Não, mamãe. Estava com aquela letra do convite mesmo. Aquela que não é feita por humanos.

_ Ah...

_ E sabe o que foi melhor ainda?

_ O quê?

_ Que o Pedro Motta disse que não quer mais namorar com ela. Então, ela vai namorar comigo.

_ É mesmo? Mas que maravilha, filho! E você já falou isso pra ela?

_ Não. Vou falar amanhã. Mas eu não quero filhos, por enquanto.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Comidas que não (me) convencem – parte I I

Eu sou uma pessoa versátil.

Versátil e flexível.

Quase sempre.

Mas como é que uma coisa que não sabe o que é pode ser obra de Deus? Vejam a soja, por exemplo: é um grão? Sem dúvida. Mas um grão que se transforma em leite, queijo, salgadinho, farinha, carne e até hambúrguer! Como é que uma planta pode virar um hambúrguer? E leite??? Não pode ser coisa de Deus. Definitivamente.

É por isso que eu, apesar de conhecer boa parte dos benefícios trazidos pelo seu consumo moderado, confesso que tenho medo. Pronto. Falei.

Comidas que não (me) convencem – parte I

Sei que é preferência mundial e que algumas pessoas praticamente subsistem à base delas, mas eu nunca consegui gostar de verdade de salsicha. Talvez parte disso se deva a uma ou duas dores de barriga memoráveis na adolescência, causadas por consumo exagerado. Ou pelo professor de sociologia do meu ex-marido, que dizia que “quem gosta de salsicha e de política não deve perguntar do que são feitas.” e ainda que “a diferença entre uma boa salsicha e uma má salsicha é a qualidade do jornal usado na sua fabricação.”

Já tentei das marcas mais populares, às mais aclamadas. Provei de peru, de frango, de pernil, de lombo, da branca e da vermelha, com e sem especiarias, com e sem pimenta, com e sem massa em volta, à milanesa, num boteco, pra provar que não tenho medo de nada e até – pelo menos, foi o que me juraram – sem jornal. Não funcionou.

Nem com purê, nem com batata palha, em com molho de tomate acebolado, nem com mostarda e catchup num pão bem molinho. Com maionese, nem pensar. Nem no sanduíche, nem na salada.

O engraçado é que tem gente que não se conforma e tenta a todo custo me convencer a abraçar a causa da salsicha. E eu, pra não parecer chata, disfarço e filosofo: bendita seja a diversidade humana que permite que pessoas estranhas como eu vivam anonimamente, sem despertar suspeitas.

Também tem gente mais louca que eu – graças a Deus! – que, apesar da tinta – porque as salsichas são todas pintadas, não vá dizer que você não sabia!!! – e do jornal, consegue comê-las diretamente do pacote, sem nem aferventar. Nem um aguinha quente pra lavar parte do não-sei-o-que que vai ali dentro. Essas pessoas são fáceis de identificar: elas têm a área em volta dos lábios meio alaranjada nos momentos improváveis, como na saída do cinema, por exemplo. Depois morrem e dizem que a vida não é justa. Eu, hein?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Economias

_ Mamãe, vamos abrir o meu cofrinho?

_ Ué, pra quê, filho?

_ Pra contar todas as moedas, ora! Pra ver quanto dinheiro eu tenho. Eu devo ter MUITO dinheiro porque o cofre está muito pesado.

_ Ok. Vamos.

...

_ Pronto, filho. Você tem exatamente R$ 26,78.

_ Isso é muito?

_ Depende. O que você quer comprar?

_ O que eu posso comprar com isso?

_ Hmmm... deixa eu ver... pode comprar duas meias entradas de cinema e ainda sobre um troco para um doce.

_ Não quero.

_ Por que?

_ Porque é você quem paga as entradas de cinema.

_ É verdade. O que mais você quer?

_ Dá pra comprar roupa, mamãe?

_ Roupa, filho? Dá. Acho que dá. Na C&A, talvez...

_ Uma capa longa para meninos?

_ Acho que para uma capa longa, não dá. Talvez dê pra uma camiseta ou duas.

_ Droga! Camiseta eu não quero porque você também compra.

_ Dá pra um cartucho de Mario Kart pro Nintendo DS?

_ Nem de longe, filho. Um cartucho custa R$ 200,00!

_ E pra um GPS?

_ Affff! Piorou. Um GPS custa uns R$ 600,00, pelo menos.

_ Um sonar, talvez...

_ Impossível, filho. Eu nem sei quanto custa um sonar, mas deve ser muito mais caro que um GPS.

_ Droga! Não dá pra comprar nada do que eu quero.

_ Olha, vamos combinar uma coisa: se você resolver que quer MESMO o cartucho de Nintendo, você junta mais um pouco e eu te ajudo a comprar, que tal?

_ Se eu escolher uma coisa que eu quero MESMO, você me ajuda?

_ Ajudo.

_ Mesmo?

_ Mesmo, filho.

_ Então, eu já sei.

_ Ótimo, o que é?

_ Um vulcão.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Tia Genérica, parte 2

Trim, trim, triiiiiiiiiiim!

_ Alô?

_ Ana? É a tia Genérica.

_ Oi, tia. Como vai a senhora?

_ Ah, minha filha, nada bem.

_ É mesmo? O que houve?

_ Eu estou triste, meio deprimida...

_ Puxa, tia, que pena... por quê?

_ Porque eu estou muito gorda. Muito gorda mesmo, sabe? Relaxei com o meu corpo.

_ Nossa, tia, da última vez que a gente se viu, eu achei a senhora ótima.

_ Ah, mas eu piorei muito, minha filha. Muito. Nenhuma roupa mais me serve; um horror. E o pior é que eu tenho um casamento na semana que vem e estou nua.

_ Sei...

_ Aí, eu lembrei de ligar pra você. Será que você não me emprestaria um vestido seu?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Tia Genérica, parte 1

Todo mundo conhece alguém assim.

Geralmente, é uma tia que não necessariamente é irmã dos seus pais. Às vezes, é uma amiga da sua mãe que, por razões que a própria razão desconhece, insiste em frequentar a família há décadas. A sua. Não a dela própria.
A tia Genérica é uma pessoa avançada na idade, nos dissabores da vida e no grau de miopia, que parece compensar esses avanços todos com comentários inclassificáveis.

_ Ana!
_ Oi, tia Genérica.
_ Nossa! Há quanto tempo! Você engordou?
_ Não, tia. Continuo com o mesmo peso.
_ Mas você tá mais fortinha. Com quantos anos você está?
_ Trinta e nove, tia.
_ Só??? Tem certeza? Eu pensei que você já tivesse passado dos quarenta há algum tempo.
_ Não, tia. Eu só faço quarenta em agosto. Falta muuuuuuuito tempo.
_ Mas, espera aí... quando você brincava com o Heitorzinho, meu filho, vocês eram quase da mesma idade, não?
_ Não, tia. Eu sempre fui oito anos mais nova que o Heitorzinho. Sempre.
...
_ Mas você esta bem, Ana. Tá até conservada.
_ Er... obrigada?
_ Você usa creme para os olhos, minha filha?
_ Uso, tia. De manhã e à noite, religiosamente, desde meus vinte e cinco anos.
_ Pois não parece...