segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Permanências - da série, "altíssima relevância"

Há uma coisa que anda me preocupando, mas antes uma perguntinha: alguém aí se lembra de uma fase de moda mais medonha que os anos oitenta? Tá bom, os anos setenta também não foram fáceis, mas pelo menos eram coloridos e as pessoas não precisavam usar peças com formato de ameba mutante.

Os anos oitenta foram a época das calças clochard e semibag, que deixavam qualquer sílfide com silhueta de bujão de gás, dos suspensórios, das ombreiras – tinha até sutiã com ombreira (!!!) – das saias balonê, das cinturas altíssimas, das blusas tipo saco, dos brincos do tamanho de um CD e de outras aberrações do gênero. Era pavoroso, mas a gente usava e ainda achava que estava abafando.

Como tudo na moda vai e volta, mesmo o que merecia ser esquecido para sempre, estamos vivendo agora um revival maldito dos anos oitenta. Engordou dois quilos, vinte, cinqüenta? Não tem problema! Basta jogar uma blusa tipo saco no corpanzil e pronto. Ninguém vai notar, já que todas as peças são feitas no tamanho único, padrão lona de circo.

Há uma moda típica dos anos oitenta que ainda não voltou: os cabelos com permanente. Eu, como locomotiva fashion que gostava de achar que era, usei por aaaaaanos a fio, na tentativa vã de ficar igualzinha a Gal Costa, só que loira. É claro que não deu certo, mas eu fazia a coisa de seis em seis meses, religiosamente, “penteava” a carapinha com algo parecido com um garfo gigante e não secava com secador nem que fosse passar as férias na Islândia. Era um horror. Depois do terceiro permanente, o cabelo ficou com aquela aparência de miojo mal cozido, esturricado de tão seco e com o volume equivalente ao de uma vassoura de piaçava muito usada. Pavoroso, mas tudo o que é ruim pode piorar. Siiiiiiiiiimmm, torcida brasileira, porque pra ficar bonita mesmo, eu fazia permanente na cabeça toda MENOS na franja. Porque a franja tinha que ter aquele ar de Farrah Fawcett no ventilador. É evidente que com todo aquele volume atrás, era impossível a pobre franja ficar no lugar. Precisamente por isso, eu lavava a coitada – da franja – todos os dias, pela manhã, na pia, com shampoo e condicionador & secava com secador (a franja podia, porque não tinha permanente). E lá ia eu, me sentindo a mais cabeluda das cabeludas, a mãe do Rei Leão, a mais volumosa das ovelhas da parada.

Um dia, avisei em casa que ia fazer um novo tipo de permanente: “com leite”. Meu pai morreu de rir, dizendo que nunca tinha sabido que leite enrolasse cabelo. Ué?! Qual é o problema?! Hoje em dia não tem “escova de chocolate”? “Depilação com mel”? Fui lá, o maldito cabeleireiro enrolou meu cabelo em três mil rolinhos e fez aquela fórmula demoníaca com três pingos de leite e mais as doses normais de creolina e soda cáustica necessárias para garantir o efeito “permanente” da obra. Para piorar, não podia lavar a cabeça por três dias. O efeito foi tão espantoso, que acho que foi o meu último permanente. Ainda bem que me sobraram uns poucos fios – os heróis da resistência – que me acompanham fielmente até hoje. Ainda bem que a moda não voltou.

11 comentários:

Cláudia disse...

Minha mãe era das suas, adorava uma juba. Acontece que alguém disse pra ela que cabelo grisalho era lindo, então ela fazia permanente no cabelo GRISALHO.
Pensa.
Um dia, meu sobrinho de 4 anos chegou do colégio chorando, fazendo manha, com meu pai. Minha mãe tinha ido ao salão. Seguiu-se a cena:
- (meu pai)que desgraça foi essa que você fez no cabelo?
Meu sobrinho olhou pra minha mãe, arregalou os olhos e foi parando do chorar aos pouquinhos, ficou só no gemido, tamanho o choque do moleque.
beijo

ANNA disse...

Minha mãe e minhas tias tb faziam o tal do permanente... Eu achava horrível, mas em contrapartida vivia fazendo mil trancinhas no meu cabelo,dormia a noite toda com aquele cabelão rastafari e no dia seguinte quando soltava ficava "me sentindo" com aquele cabelão volumoso!
Dá até vergonha de lembrar!
Falo sempre para a minha mãe que ela hoje, com seus 56 anos e cabelinho liso chanel é muito mais jovem do que quando tinha 36 e fazia permanente.

MH disse...

e eu com esse cabelo fininho, quase ralinho, sempre sonhei com cachos. Era muito nova pra fazer permanente - ou suporte, era outra opção, não? Anos atrás, tentei criar cachinhos com baby liss e litros de spray/mousse/sei lá o que. Ficou cacheado por uns 45 minutos. Foi desabando, desabando, alisou!
Quer saber? Ainda bem!

Adauto disse...

(Prepare-se: Atenção - Comentário masculino à vista...)

É, não tem jeito. Ninguém nunca está satisfeito, mesmo... Se o cabelo é liso, quer enrolar; se é cacheado, quer alisar; se tem volume, quer baixinho; se é baixinho, quer dar volume.

A falecida possuía cabelo mel, mas por causa dos precoces cabelos brancos, acabou ficando loira (é o seguinte, tá bem: já expliquei o processo lá no blog da Cláudia).

A Dona Patroa, japonesa, possui uma linda cabeleira graúna. Teima em "dar uma corzinha diferente" de vez em quando, e, quando é pra festa, cachear - é lógico.

É... Tais comportamentos estão realmente além da minha limitada percepção masculina acerca das nuances que envolvem esse incompreensível - mas deslumbrante - multiverso feminino...

Nana disse...

É, permanente não voltou... Mas a saia balonê (com as variantes shortinho balonê e bermuda balonê) e a calça santropeito estão de volta!

Mary disse...

Crises de risos!!!

Então...recuperando o folêgo.

Eu Nasci nos anos 80 (Graças a Deus), então nao tive a "oportunidade" de vivenciar essas coisas...
Mas, como toda familia tem seu arquivo fotográfico, tive a oportunidade de "conhecer" a epoca.
Todos falam que os anos 80 foi o ANO e tal...mas posso confessar?Não acho...não gostaria de ter nascido no anos 70 (por exemplo)para curtir a modinha do anos 80,sabe?
Até gosto de algumas músicas da epoca...

Mas...e se voltar, você corre o risco de cair em tentação, Ana?

beijos

Mary

angela disse...

aff, eu sempre tive cabelo enrolado, mas odiava, pq meus cachos nao eram iguais aos de quem frizava o cabelo,entao dormia toda noite de trancinha, aff, q nem a Anna, e ia pra escola com aquela juba toda frisada, me achando neh, acho q qdo eu andava so viam a cabeca, hahaha, socorro!!!

Ana Téjo disse...

Clau,
Meniiiiina, que espetáculo. Justo no cabelo grisalho que, por não conter melanina, já é aquela coisa mais espessa e rebelde... eu bem que entendo seu sobrinho.
As barbaridades que a gente faz em nome da "beleza".

Anna,
Eu TAMBÉM fazia dezenas de trancinhas. Na verdade, quem fazia era a minha avó, toda vez que eu lavava a cabeça. Só não lembro se era antes ou depois da fase do permanente.

Ana Téjo disse...

MH,
Ainda bem.
Se fossem cacheados, você ia querê-los lisos.

Adauto,
É o problema da duplicidade do cromossomo x. Nem tente entender.

Ana Téjo disse...

Nana,
Nem me fale em saia balonê, que eu tenho calafrios e calaquentes só de pensar. Ninguém merece.

Mary,
Já eu, gostaria de ter nascido em 1925, pra ser mocinha no pós-guerra. Um dia eu explico.
É mais fácil um boi voar do que eu cair em tentação.

Ana Téjo disse...

Angela,
Imagina só: até você, que tinha naturais os cachos que todo mundo sonhava, não estava satisfeita! vai entender as mulheres...