segunda-feira, 7 de maio de 2007

O aperto

Cenário: elevador comercial
Área útil: cerca de 1,5 m²
Características: uma parede envidraçada, com vista para o átrio do prédio de apenas dois andares.

O elevador do trabalho é assim: temperamental. São apenas dois andares para cima e dois para baixo, o que significa que a coisa toda não tem mais de cinco pavimentos. Mas às vezes demora como se fosse um prédio de 80 andares. Tanto para chegar, quanto quando você está dentro dele. Deve ser para o pessoal ter mais tempo para observar a vista. Coisa de arquiteto... Assim, um trajeto do G1 para o segundo andar pode levar algo equivalente a um minuto e meio. Isso, quando não há interrupções. Porque geralmente, há.

Entrei pela garagem, esbaforida como de hábito. Apertei o botão para apressar o fechamento das portas. Um lance acima, no térreo, as portas se abrem. Entra um tipo roliço, vestindo algo parecido com uma roupa de ginástica e boné.

_ Oi.
_ Oi _ respondi, enquanto guardava os óculos, as chaves do carro e o crachá na bolsa e tentava pescar o celular.

Eu disse que o elevador demorava. Tanto, que mesmo depois de fazer tudo isso, ainda não havíamos chegado nem ao primeiro andar. Percebi que o sujeito me olhava com uma certa insistência. Será que eu estava bloqueando a vista? Aproveitei a desculpa de consultar o relógio e mudei ligeiramente de posição, para deixar a parede de vidro liberada. Não adiantou.

_ Quer que eu te faça uma massagem?

A pergunta, vinda assim, de sopetão, me pegou totalmente desprevenida. Comassim, uma massagem? Aqui? Agora? No elevador? Tá certo que demora, mas não é bem assim, né? Você nem faz o meu tipo e, mesmo que fizesse, a gente nem me conhece, você nem sabe meu nome... e eu tenho namorado, sabe? Onde já se viu? Vá ser direto assim lá em Marte, de onde você deve ter saído.

Apesar da avalanche de pensamentos, limitei-me a olhar para ele com um misto de incredulidade e incompreensão.

_ É que eu sou massagista, sabe? Faço massagens aqui, no pessoal. Faço do-in, shiatsu, massagem relaxante... Você trabalha lá em cima, né?
_ Trabalho _ respondi, desconfiada.
_ Então, eu faço massagens em quase todo mundo de lá. Depois, fala com a recepcionista e pede pra ela marcar uma hora pra você. Eu atendo aqui mesmo.
_ Sei...

Com isso, a porta finalmente se abriu e eu desci, com ele logo atrás. Entrei quase correndo na porta da direita e ele foi para a da esquerda.

Bem que eu ando precisando de uma massagem, mas assim, tão de repente? Melhor não, né? Imagina se ele cai nas minhas omoplatas com a mesma decisão da conversa do elevador? Não restará osso sobre osso. Afff!

15 comentários:

Cassio disse...

Legal a arquitetura de sua empresa!

Adorei ! :)

Aproveitando....

Bom ambiente de trabalho.

Um cliente meu tem um massagista de plantão.
Sempre que vou lá, aproveito e "estalo" as coluna

Anônimo disse...

Ta vendo...O coitado só querendo ajudar...rs
Não fala em massagem nao...q eu já durmo!!AMO

beijos

Mary

Lana disse...

Duro seria se ele pedisse pra vc fazer a massagem...ali...naquela hora...rsrsr

Abraços

Dani disse...

Se for aquele tipo de massagem em que o massagista anda sobre as suas costas, melhor deixar pra lá. rs

Beijos.

Rodolfo disse...

Sinceramente? Eu teria dito tudo que você pensou. Ando com a minha capacidade esgotada para certas coisas.

Ana Téjo disse...

Cassio,
Legal, né?
Só quem põe a mão na minha coluna é a Eli, minha teraputa de shiatsu, que quase arranca meus olhos quando eu vou lá, mas que me faz um beeeem...

Mary,
Ajudar, né? Sei, sei...

Ana Téjo disse...

Lana,
Eu seria obrigada a abatê-lo com uma voadora. Iáááááá!

Dani,
A Eli anda nas minhas costas. É bom que só!

Ana Téjo disse...

Rodolfo,
Da próxima vez, eu digo.

Gastón disse...

Olha, aqui ninguém nunca fez massagem com esse cara não Ana. É golpe, xaveco ou ele queria sua carteira. Verdade.

Ana Téjo disse...

Gastón,
Já saltei fora. Literalmente.

mc disse...

Sutil como um elefante!
Alguém precisa ensinar pra ele que abordagem é tudo!

Luci disse...

ainda bem que ele não é seu tipo!
sabe, né?! probabilidades...!
rs!
bjs!
ps: o kk? tá querendo ir ao cinema! socorro!

Ana Téjo disse...

MC,
Tem gente que não sei, né?

Luci,
Chegando assim, nem que fosse. E nem sonhe em falar desse jeito que o Sr. Ana Téjo é capaz de não gostar. Como diz a Maray, "eu sou fiel como um cachorro de mendigo".

Sobre o cinema, diga que vai junto, oras! E que faz questão de sentar-se no meio para garantir que ambos consumam quantidades iguais de pipoca!

anna O. disse...

gente, que estratégia de mkt mais tiro-pela-culatra...

Ana Téjo disse...

anna o.,
Só me fala: será que ele acha MESMO que conseguirá clientes agindo assim?